quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Carnaval Social


O dia de Carnaval é por natureza o dia em que o ser humano se lembra de colocar uma mascara e uma fatiota e andar a desfilar pelas calçadas a cima e a abaixo. este dia faz-me recordar um poema de António Gedeão, " Calçada de Carriche" em que a Luísa é literalmente substituída pelo povinho em que as suas pernas termeliqueiras sobe a calçada, sobe e não pode porque vai cansado... cansado de que? Cansado da própria máscara que usa diariamente' cansado dos ultrajes que lhe são impostos e das carícias sem amores que nos são feitas através de promessas, agonias e obrigações."saiu de casa de madrugada e regressou já de noite fechada" continua Gedeão, transcrevendo a vida de Luísa de outrora e que por acaso, só mesmo por acaso, ainda hoje, é a cruz do Zé, na labuta constante de ter uns trocos ao dia 15 para um cigarro e um bilhar. Uma coisa nos grandes nomes de escritos de sangue vermelho e verde é que parece que eles quando faziam os seus manuscritos deveriam ter algum género de premonições, pensamentos futuristas ou qualquer coisa parecida. E piada das piadas é que não eram só os grandes nomes da literatura, os cantores também tinham pensamentos virados para o futuro como que sentissem ou melhor, pressentissem o que viria por aí. Mas lá está, é o que faz usar máscaras todos os dias e lá diz o Zé povinho, ora toma lá que já almoçaste., quer dizer, não é nada disto que o povinho de hoje diz porque nem dinheiro para almoçar tem, mas é mais é Carnaval, ninguém leva a mal....mas só não leva a mal porque não apanha pela frente um senhor mascarada de primeiro ministro e que se veste de coelho, um outro senhor que brinca ao presidente da republica e ora se veste de silva ou se mascara de cavaco e já para não falar naquele senhor que se mascarou em anos transactos de hulk que se armava em Durão, há, e aquele que de tanto se mascarar trocava tudo. Senhores foliões que poisam e que desfilam ali para os lados de S.bento (de porta fechada), deixam lá as brincadeiras de lado, a malta não leva a mal o Carnaval, mas se é para brincar a gente do povo da idade média em que se troca um cabrito por dois sacos de batata, uma coive e meio quilo de feijão furadinho (pelo bicho) também quer brincar. E já agora, se o Carnaval é quando o Homem quer, o Natal, também o é, e gostaria que o Pai Natal fosse um pouquinho generoso. Não me importo que ele ande mascarado por estas alturas, e muito menos me importo que ele seja oriundo da terra mais recôndita do planeta, mas só queria que ele olhasse para o povinho e se lembrasse que nós também gostamos de brincar.
E continuando o meu dis(c)urso, rábula, texto, reflexão, pensar indefinido e incoerente ao jeito Zé povinho aos olhos daquele que julgam tem em sua pose o mais dócil e puro tintol da colheita não sei de há quantos séculos, recordo a minha infância e de por esta altura a minha mãezinha mais conhecida por Palheira ou por Riera, teimava em me tirar a minha linda mascara e enfiar-me uma roupa, quente por sinal, pegar num pedaço de carv(br)ao e pintar-me a fronha com um bigode a estilo italiano do SEC. XV. ora, tal aparalto todo acabaria por ser um cowboy mascarado. E esta mascara era intercalado com a do pastor. Ate q fazia sentido. Com dois carneiros mais velhos alguém haveria de ser o pastor. Ora ultrapassados alguns bons anos e olhando para a conjuntura actual só me apraje dizer algo do género: oh Srs. do tintol e da pança cheia. tudo bem que ha que manter a criança viva em nós. mas não abusem. Eu também já fui cowboy em puto, mas não me tornei em ladrão quando comecei a ter pelos na fusa.

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