A Morte na cultura –
viva alma se não nos vimos espantar quem nos tentou assassinar.
Sou agente cultural. Não
apenas na medida em que absorvo culturalmente diversos eventos e espectáculos culturais,
mas também por ser influenciador em tais eventos e espectáculos, sendo um
individuo repercutor do prazer de figurar em fileiras de combate com espectáculos
de teatro, e mais recentemente com uma veia desentupida e com transfusão de
escrita com o primeiro livro editado quase amordaçado pela obrigatoriedade exigida
por amigos em o editar.
Contudo, como agente
cultural que o sou a alguns anos costuma averiguar o estado em que culturalmente
a nossa cultura se encontra. E lamentavelmente afirmo-o que apesar de vivermos
num país fenomenal e tradicionalmente riquíssimo pela conteúdo histórico-cultural,
aborrece-me ver que uns senhores doutores da mula russa se lembram de
espezinhar o que de mais forte nos temos. O nosso cerne, a nossa cultura, o
nosso ser. E levanto-me eu da minha cadeira, escrevendo eu em pé, refiro que
não é so de cultural futebolês que o nosso rectângulo ondulado, dá cartas
brilhando nas bolas de ouro e prémios europeus ou mundiais, porque nos palcos,
nos cinemas, nas musicas, nas páginas, no circo de nariz vermelho, nas
aguarelas, e nas modas somos reconhecidos UNIVERSALMENTE.
Perguntem aos
senhores marcianos se já não ouviram falar no nosso João Negreiros e nos nossos
mais conceituados Orelha Negra. Ou então Vieira da Silva ou do Tosta Mista O
malabarista. E se quiseres perguntem também aos habitantes de Neptuno, que se
devem chamar suponho de Neptunianos, se não conhecem o nosso Fernando Pessoa,
ou o Ricardo Reis, o Jorge Palma, ou a companhia de teatro TapaFuros, ou o
Ricardo Carriço ou a Florbela Espanca.
Claro que apenas refiro
nomes conceituados da cultura nacional, porque se refiro nomes desconhecidos os
senhores da massa da pastelaria governamental vão ficar a saber o mesmo, mas se
quiserem mesmo eu refiro. Mas porque não lhes dar um gostozinho e coloca-los a
trabalhar um pouco. E não é que seja necessário muito trabalho. Basta abrir as
páginas dos jornais na secção dos enfermos e ver a quantidade de entidades
estão ou estarão muitíssimo próximos da enfermidade, só aguentando porque lhes
foi dada a extrema unção o que lhe permite que a vontade divina do esforço,
crer e amor ao que se faz os mantenha de pé.
Sou do norte, sou do
porto, sou de Portugal, mas costuma ver constantemente a nossa cultura ser
aplaudida de pé além-fronteiras e ver que nas nossas planícies montanhosas
aquosas fronteiras não lhe é dada o devido respeito. Sim, o devido respeito. Porque
uma coisa é dar-lhe a devida importância, mas outra coisa é o respeito. Respeito
aos artistas, respeito aos trabalhos e acima de tudo, respeito ao que
tradicional culturalmente nós somos enquanto portugueses.
O mal do português é
que se prende demasiado aos históricos nomes. Camões, Gil Vicente, Eça, Vasco
Santana e tantos outros nomes que toda a gente conhece e admira tal como eu
admiramos e respeito o trabalho deles. Mas esquecemo-nos do que é produzido
recentemente. E mais de que esquecer do
que é (re) produzido recentemente é esquecer de apoiar projectos valiosíssimos que
são implementados.
Não posso falar em meu
nome obviamente pois seria extensivamente extenso, apesar de que, não ter muita
razão de queixa de alguns projectos que implementei ou criei, (a maior parte
deles também eram a custo zero e em redes informáticas) e nos que houve
financiamento tive bons mecenas.
Mas entristece-me
profundamente ver que, projectos de valor não tem a devida divulgação, ou o
devido brilho no que a respeito toca. Centro-me em dois projectos musicais,
como dando u pequeno exemplo.
A Balkony Tv, um
conceito musical original de “Music With A View” surgiu
em 2006 em Dublin quando um grupo de amigos decidiu filmar actuações de
projectos musicais na varanda do seu apartamento. Publicaram os vídeos no
Youtube e o seu impacto foi viral. Assim surgiu
a BalconyTV.
Actualmente, a BalconyTV é produzida em mais de 30 Cidades espalhadas pelo Mundo, conta com mais de 7000 vídeos arquivados e já ultrapassaram os 35 Milhões de visitas.
Reconhecida por várias publicações, como o The Guardian e a Next Web, a BalconyTV é um canal premiado com um Webby Award e um Lovie Award - este ultimo prémio ganho em 2011, onde foi consagrada como o melhor canal de musica em plataforma online da Europa.
Algumas bandas nacionais já têm participações pelos cantos de diversas varandas mundiais, como por exemplo Velha Gaiteira na América com um enorme espectáculo. Em Portugal é reproduzido essencialmente em Lisboa e no Porto/Gaia.
Actualmente, a BalconyTV é produzida em mais de 30 Cidades espalhadas pelo Mundo, conta com mais de 7000 vídeos arquivados e já ultrapassaram os 35 Milhões de visitas.
Reconhecida por várias publicações, como o The Guardian e a Next Web, a BalconyTV é um canal premiado com um Webby Award e um Lovie Award - este ultimo prémio ganho em 2011, onde foi consagrada como o melhor canal de musica em plataforma online da Europa.
Algumas bandas nacionais já têm participações pelos cantos de diversas varandas mundiais, como por exemplo Velha Gaiteira na América com um enorme espectáculo. Em Portugal é reproduzido essencialmente em Lisboa e no Porto/Gaia.
Este
conceito já deu grandes nomes ao panorama nacional, como Samuel Uria, Pedro Jóia
ou os Kumpania Algazarra.
Um
dos outros projectos em que me centro é o AMPGDP, ou traduzindo A Musica
Portuguesa A Gostar dela Própria. E aqui há que ressalvar o projecto criado e
elaborado pelo Tiago Pereira que se constitui objectivamente por Celebrar a maravilhosa variedade da música
portuguesa, Trazer a música para a rua, Divulgar a música portuguesa e o autor
português, GOSTAR da música portuguesa e
aumentar-lhe o ego. Este é um dos projectos que mais tenho acompanhado pela
celebridade alegre com que os mentores e organizadores tem realizado buscando sonoridades
e ritos e falas tradicionais portuguesas “do arco-da-velha” e dando lugar a
novos projectos. Contudo pouco se tem apoiado e divulgado ficando-se resumido
quase e apenas às diversas redes sociais que existem.
Outros
mais projectos se poderiam referir, contudo temo, na minha saúde mental de
agente cultural imperfeito, qu mal acabe de os anunciar já não tenham sentido a
enfermidade pelo sem termino do juízo final que por acaso, só mesmo por acaso,
já muitas das companhias de teatro e de outras componentes artistas já sentem a
falta precoce ou preconceituosa de falta de apoios estatais à sua manutenção.
Ok,
está tudo muito bem, muito bonito e muito lindo, é necessário dar uso à
criatividade e arranjar novas formulas químicas de se vingar artisticamente com
parcerias entre entidades, por exemplo, ou então em solução mais eficaz,
pode-se sempre aumentar simbolicamente, sublinho simbolicamente, o custo de
entradas para um concerto, para um espectáculo de teatro, para uma exposição,
para o circo ou então para a compra de um cd, para a compra de um livro ou para
a comprar de algo religiosamente que um individuo se emaranhasse em teias de
aranha só para o poder ter ou ver. Mas com o graveto, chillim, pilim, cacau ou
dinheirito a escassear no bolso de flanela preso nas ceroulas, já é demasiado
escasso, não há dinheiro para adquirir esses títulos e como tal, não há dinheirinho
a entrar no bolsinho das tangas, do actor, do músico, do compositor, do pintor
ou do triste alegre palhacinho.
E
ali acima, algumas linhas acima referi e sublinho os termos, falta precoce ou
preconceituosa de apoios estatais, porque os nosso queridos e adorados
engravatadinhos preferem investir o tusto na tosta que já não queremos comer,
porque eles já não nos deixam comer, nem sequer cheirar.
Olho
para a minha companhia de teatro e para os trabalhos que tenho elaborado no âmbito
literário, que não são nada de importantes mas tem o seu devido empenho, amor e
dedicação ao que é feito porque é implementado com um sentido, e não atribuo
prazer ao que faço so porque tenho que fazer mas sim porque adoro o que
invento.
Lamento
profundamente, ver companhias artísticas com nome no universo cultural do Porto,
sujeitas a ter que encerrar os seus projectos por falta de verbas, porque o
dinheiro numa corrida de carros é muito mais importante. Revolta-me ver que
870mil euros que se destinavam a eventos culturais no Alentejo desapareceram e ninguém
se deu a levantar o rabo da cadeira e averiguar onde se enfiou a porra do
dinheiro.
Já
chega de hipocrisia estatal. Quero a Revista típica portuguesa nos palcos com
pompa e circunstância, quero os músicos apoiados e na ribalta, quero os
pintores com apoio para poder expor os seus trabalhos sem ter que expor o seu
dinheiro para expor os seus trabalhos, quero as companhias de teatro do porto
com o investimento que merece, quero aplaudir os fantásticos projectos
reconhecidos la fora a serem reconhecidos lá dentro
Quero
o que é nosso,
Quero
a nossa cultura
Quero
sentir a cultura portuguesa viva
Não
a matem e muito menos a enterrem. Porque em espirito, viva alma, a nossa que
irá assombrar no palco de quem nos tentou assassinar.
Não, não quero esse tal de estado a financiar essa tal de cultura. Apoio qualquer forma de expressão cultural que disso considere merecedora, mas a título pessoal. Não exijo e muito menos OBRIGO quem não queira a apoiar aquilo que eu apoio. Há para isso um nome: tirania. Vade retro.
ResponderEliminarCansei de ver projectos de vaor sofrerem a extrema unçao de quem por demérito achou digno retirar os apoios à cultura. sinto que cada vez mais se centraliza o cifrão do euro em coisas banais em coisas que realmente deveiam fazer sentido, especialmente no que a nós, portugueses, tradicionalmente faz sermos ainda dignos de ser chamados de portugueses.
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